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TheDailyMan

Nasceu e vive na terra mais linda de Portugal (como diz a música!). Agnóstico, divorciado, professor, brincalhão e quarentão. Gosta de cozinhar, de preferência rodeado de amigos! Gosta de amar, ser amado e de se divertir.

Nasceu e vive na terra mais linda de Portugal (como diz a música!). Agnóstico, divorciado, professor, brincalhão e quarentão. Gosta de cozinhar, de preferência rodeado de amigos! Gosta de amar, ser amado e de se divertir.

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15
Nov19

A importância de comer nas refeições...numa relação!

TheDailyMan

Ora bem, como a vida dá muitas voltas e muitas vezes voltamos ao inicio, aproveito para lembrar um episódio que me aconteceu e que poderá servir de inspiração para algumas pessoas, a minha inclusive.

Certo dia, vou eu, a minha namorada e os respetivos filhos num carro a chegar ao nosso local de férias. Estamos a cerca de 10m do apartamento e são quase 20h. A filha da minha namorada pede para comer qualquer coisa pois começa a ter fome. Eu digo que estamos quase a chegar e que faço logo o jantar, mas a miúda pede e insiste até a mãe ceder e, como o costume, lá come um pacote de bolachas chiquilins até saciar o apetite. Olho para a minha namorada com ar de quem está a fazer asneira mas respiro fundo e olho em frente.

Chegámos 10m depois. Enquanto a minha namorada arruma as coisas vou para a cozinha e faço o jantar: 20m e estamos na mesa. A miuda mal dá umas garfadas na comida e diz que já está cheia. Olho para a minha namorada com ar de quem a avisou que fez merda! A comida ficou praticamente toda no prato. Arrumámos a loiça e vamos dar uma volta pelo hotel e aproveitámos para conhecer as instalações. Vamos tomar um cafezinho os 4. Passado uns minutos a miuda começa a pedir à mãe comida. A minha namorada não lhe deu nada e começa a birra. Manda-se para o chão, dá uns pontapés, grita com a mãe...está o caldo entornado. Eu olho e admiro o show. Olho para o meu filho que assiste a tudo com ar de espanto e parece que lhe leio a mente...ai se fosse eu a fazer aquilo! Não fazia mesmo! A minha vontade era pregar um estalo à filha e acabar com aquela cena surreal! O espetáculo durou pouco mais que 10m e voltámos ao apartamento. A cena continuou e a rapariga não acalmava. A minha namorada começa a ceder e, qual cereja em cima do bolo, vai para a cama com ela e diz-me que é melhor elas dormirem juntas para a miuda acalmar! Eu, ainda a digerir toda a situação, vou para a cama com o meu filho e penso: foda-se, puta que pariu esta merda! E foi para não dizer nenhum palavrão!

 

07
Nov19

Começar uma relação com filhos...

TheDailyMan

Começar uma relação é sempre algo desafiante. Devemos ter a noção que ambos devem estar em sintonia e se quiserem ir viver com o vosso namorado(a) aconselho vivamente, a lerem este post fantástico! Não consigo acrescentar praticamente nada! A não ser talvez a experiência de um namoro à distância, mas isso já expliquei também no meu último post.

Assim, se já existem tantas dificuldades numa relação sem filhos, que quando acrescentamos estes à equação, então podemos dizer que estão reunidas as condições para uma "ralação". Vou dar-vos o meu testemunho, do que é entrar nessa aventura, apesar de outros puderem ter mais ou menos sorte (mas pela experiência dos meus amigos a coisa anda ela por ela…ou seja, um desastre!).

É um facto que a maior parte das mulheres divorciadas tem com a custódia dos filhos, apesar de ultimamente a guarda partilhada ser a mais aplicada. Não é o objetivo deste post averiguar qual é a melhor, mas sim o impacto que um filho pode ter numa relação e estar preparado para isso. Podem pensar que é indiferente a guarda da criança no impacto na relação, mas garanto que não (com as devidas exceções que confirmam a regra, claro!) pois já estive numa relação com ambas as situações e as coisas são mesmo diferentes.

Alguns pontos importantes:

  • Tempo livre para os dois – Quando a criança está a 100% com a mãe é difícil ter uma relação normal de casal. Uma mãe põe sempre a prioridade na criança e vocês ficam sempre em 2º lugar. Logo, noites românticas, jantares à luz das velas, férias a dois, etc…fica para certas ocasiões muito especiais (3x/ano na melhor das hipóteses…a não ser que exista uma mãe/sogra/irmão que nos valha! – no meu caso não havia muito - ). Quanto muito jantam a 3 e vão os 3 sair. Obviamente que depois isso também se reflete na intimidade e cumplicidade.
  • Educação – Aqui é uma verdadeira dor de cabeça! Quem teve uma educação à antiga como eu, ver uma criança fazer birra, comer comida própria (Mac, douraditos, pizza, etc), não ter horas para nada, deitar-se às quinhentas, etc, etc, é uma verdadeira confusão. E se juntarem a isso uma junção a 4 então ainda pior pois se um educa de uma forma e outro educa de outro, temos tudo para correr mal. Dou-vos um exemplo: telemóveis à refeição: se um permite e o outro não torna-se complicado impor a regra.
  • Gerir a relação com a filha – É preciso ver que uma relação entre um casal é exclusiva desse casal. Já tive algumas conversas mais acesas com a minha namorada e quando a filha se meteu na conversa pedi-lhe para não o fazer. Acontece que a minha namorada nunca conseguiu blindar a relação e deixava sempre a miúda se meter nas nossas conversas. Ficava, obviamente, fodido com tudo isto e acabava logo ali a conversa. Não fazia sentido ter conversas a três! Isto resulta porque existem muitas mães que pensam que as filhas são as maiores amigas e vice-versa! Não sabem ver o papel delas! O meu papel com o meu filho é o de ser pai acima de tudo! Não que não seja também amigo dele, obviamente, mas ele tem de perceber que minha função é educa-lo e prepará-lo para a vida, de acordo com os meus valores. E se ele me vir só como amigo depois como faço para impor a minha autoridade quando for preciso como pai? Por esse motivo muitas vezes os pais deixam de ter poder sobre os filhos.
  • Ciúmes - É complicado de gerir quando temos filhos e temos de partilhar com eles e com a namorada o nosso tempo. Muitas vezes eles pensam que estamos sem tempo para eles. E o mesmo se passa do outro lado. Os filhos tendem a pensar que os pais já não querem saber deles por isso tem-se de saber gerir todos os ciumes existentes numa relação a 3 ou a 4!

Resumindo, aconselho vivamente a falarem muito sobre todos estes temas antes de embarcarem nessa aventura! E, se forem, boa sorte companheiro(a)s !!!!

 

03
Nov19

O fim de uma relação

TheDailyMan

Já andava há algum tempo para escrever este post. Este é "o" post" onde quero partilhar as várias situações que me foram surgindo ao longo do meu casamento. Outro farei com especial foco nestes últimos, quase, 4 anos. E queria partilhar porque este blog funciona como uma catarse, em 1º lugar, e também de certa forma "ouvir" o feedback de pessoas que tenham passado por situações idênticas e comunguem destes sentimentos. Sempre acreditei que é na partilha da dor e sentimentos que ficamos mais leves e ganhamos forças para novos desafios...e as relações nesta idade são um verdadeiro desafio!

Há 4 anos atrás estava a acabar praticamente um casamento com cerca de 13 anos mais 7 de namoro, ou seja, uma relação com quase 20 anos. Uma relação com um namoro feito à distância, eu do Porto ela de Lisboa. Ela católica praticante e eu agnóstico convicto. Quando acabei o curso fui trabalhar para uma multinacional e estava a 5m de casa. Levava uma vida quase perfeita: estava a fazer o que eu queria, ganhava bem, estava com a minha família e amigos e estava na minha cidade. Ela também acabou o curso e arranjou emprego facilmente. Tivemos poucos problemas neste namoro: praticamente as questões religiosas, e os seus impactos na sexualidade, e chega! Não conseguimos conhecer ninguém, verdadeiramente, neste tipo de relação! Passados quase 7 anos de namoro falamos de casamento e eu vou para Lisboa trabalhar. Para tal, despeço-me, pago uma indemnização à minha empresa, mudo de área e vou para Lisboa dar aulas! Para trás fica a minha vida: os meus pais, o meu irmão mais velho (doente), os meus amigos e a minha cidade, onde nasci, literalmente, e vivi praticamente até aos meus 30 anos! Foi uma sensação agridoce, mas, na altura, mais doce pois seguia o coração e ia morar com a minha mulher. Tinha casado nesse ano e ia com tudo! Ia com toda a ilusão! Os anos seguintes foram de descoberta: comecei a conhecer a minha mulher de uma forma que até então não conhecia, apesar de alguns amigos e familiares terem visto alguns sinais. Eu comecei a sentir-me, aos poucos, um peixe fora de água. Entretanto veio o meu filho e com isso meses seguidos sem conseguir dormir. O stress aumentou e para ajudar à festa demorava perto de 90m a chegar à escola em Lisboa. Vinha muitas vezes ao Porto, não só para concluir o meu mestrado na altura, mas também para respirar um pouco e estar com a família e os amigos e matar saudades da minha terra. É impressionante como podemos ter saudades de um sítio e nos identificarmos tanto com ele! Nestas viagens vinha sempre com o meu cão. A minha ex-mulher ficava em Lisboa com o meu filhote e só nas férias é que vinha! Falava com ela sobre isso pois gostava que viéssemos todos, em família, mas a minha ex-mulher é uma pessoa dedicada ao trabalho e à casa, sendo uma mulher mais fria que eu. Eu sempre fui muito sociável, gosto de estar com amigos! Aos poucos fomos acentuando as nossas diferenças, a parte social e a intimidade eram os principais temas das nossas conversas, apesar de nunca termos tido verdadeiras discussões pois não temos feitio para isso.

Entretanto morre o meu irmão, algo que sendo um pouco previsível não estava preparado (ninguém se prepara para isso efetivamente). Com a morte do meu irmão senti o chão a tremer. Emocionalmente fiquei de rastos. Andei a chorar semanas e sonhava com ele frequentemente. Tinha uma relação muito cúmplice com o meu irmão. Era mais velho quase 5 anos e falava sempre com ele sobre as minha angústias e dúvidas. Era um ídolo para mim, um porto de abrigo, desde que me conheço. Era com quem desabafava sobre tudo! Um verdadeiro irmão. E foi parte de mim que morreu. De certa forma culpei-me a mim próprio por ter vindo para Lisboa pois sempre que vinha ao Porto estávamos juntos e quando partia pensava sempre se era o último abraço que lhe dava. Passados uns meses, eu e minha ex-mulher entramos em conflito por uma coisa verdadeiramente insignificante (deixei uma louça por lavar de um almoço, enfim…) e ela chegou a casa do trabalho e mandou umas bocas. A coisa aqueceu, discutimos, e andamos meses sem intimidade…é engraçado como as mulheres sabem foder a cabeça a um homem quando querem! Se já estava emocionalmente desequilibrado, mais fiquei ainda. Os meses seguintes foram dos piores da minha vida: comecei a questionar todo o esforço e dedicação que tinha posto nesta relação e tudo estava a ir por água abaixo! Entretanto tive que sair de casa pois estava a começar a procurar fora o que não tinha em casa. E não falo de sexo, falo de tudo o que uma relação deve ter. Envolvi-me emocionalmente com uma pessoa que esteve a trabalhar na mesma escola que eu e que durante um ano nem olhei para ela. Só quando estive mal é que comecei a olhar para o lado efetivamente. Não queria envolver-me fisicamente com ela estando a morar ainda na mesma casa que a minha ex-mulher, apesar de na altura já estar a dormir no escritório. A minha ex-mulher pensou que eu já andava com ela e disse para eu procurar casa. Liguei para uma amiga minha que também estava a dar aulas em Lisboa e fui viver para a casa onde ela estava com outra colega. Tinha um quarto livre e por lá fiquei. Comprei um colchão no Ikea, dormia no chão e segui a minha vida. Comecei, entretanto, uma relação com essa minha colega. Fui viver com ela passado alguns meses pois tive que ser operado e perdi a mobilidade temporariamente, e como ela morava ao lado da escola fui para lá. Eu, ela e os seus dois filhos. Nessa altura, quando estava com o meu filho sentia uma dor de alma terrível. Ele tinha perto de 3 anos e eu, como tinha passado muito tempo com ele, de repente, passar a vê-lo só aos fins de semana foi um corte radical para mim. Não estava preparado, nem para entrar numa família nem para estar sem o meu filho! E passados uns meses acabámos. Acredito, agora, que foi, em parte, uma relação que tive para suprir as minhas necessidades na altura. De amor, de afeto, de carinho, etc. Mas não era a altura para entrar numa nova relação, muito menos numa nova família! Voltei, então, para a casa da minha ex-mulher. Para mim, a maior lacuna era não ter o meu filho comigo e por ele voltei para a minha ex-mulher. Não queria saber de mais nada na altura. E depois de voltar para o meu filho estabilizei emocionalmente e encontrei-me com ele. Não cheguei a divorciar-me na altura. Andei uns meses relativamente bem, apesar da minha relação com a minha ex-mulher não ter mudado muito, pois os feitios quase nunca se alteram. E voltei novamente, paulatinamente, à mesma sensação de peixe fora de água. Meses mais tarde chega um momento marcante na minha vida que era o concurso de professores e tinha de concorrer. Foi um momento em que pensei nos últimos anos da minha vida, no que tinha perdido, no que tinha ganho e, essencialmente, no que queria para o meu futuro. Tinha basicamente duas alternativas: ou concorria para Lisboa e ficava perto do meu filho, mas tinha uma relação onde não era feliz, ou arriscava e concorria para o Porto, para o meu porto seguro.  Havia ainda a questão de que se não concorresse para o Porto naquele ano, muito provavelmente nunca iria conseguir ir para cima tão cedo pois as vagas eram cada vez menos. Tinha passado por muita coisa nos últimos anos: desde privação financeira (é verdade, cheguei a comer massa com queijo ralado por cima várias vezes) até à falta de amor que me levou a um desequilíbrio emocional terrível. E até cheguei a ter pensamentos negativos tendo colocado em questão a própria existência (lembro-me de passar por vezes na ponte 25 abril e esse pensamento estar presente). Não sei se cheguei a ter depressão, mas foi algo semelhante, e para isso contribui a ilusão de um casamento falhado, a morte do meu irmão, o estar num sítio que não me dizia nada, etc. Mas felizmente sempre superei as coisas, e muito devo, não só à minha família, mas também aos meus amigos e amigas por isso! Depois de analisar tudo numa balança, optei pelo racional e concorri para o Porto, tendo entrado numa escola perto de casa. Foi um momento difícil para mim e novamente tive aquele sentimento agridoce: ia finalmente para casa, para junto da minha família e amigos, para a minha terra natal, mas simultaneamente ia deixar o meu filho, na altura com 4 anos. Falei com a minha ex-mulher e disse sinceramente que ia, mas que por mim continuava no casamento, tanto que isso me iria proporcionar estar com o meu filho. E gostava dela ainda, é verdade, apesar de saber que não era a relação que me fazia feliz. E assim andámos novamente durante anos. Lá ia eu aos fins de semana para Lisboa e estava com eles. Tinha um pouco dos dois mundos: estava a trabalhar e a morar onde queria e estava ao fim de semana com a minha família, em especial com o meu filho. Sei que parece estranho perceber isto, eu próprio a escrever isto sinto-me desconfortável, mas é a verdade, nua e crua. Passados uns anos ainda falámos em ela vir para o Porto trabalhar e andámos a ver casas. Punha defeitos em tudo e percebi que não estava nem para aí virada. Agora compreendo-a porquê. Acho que ela sentiu o que eu senti quando vim para o Porto, percebeu que efetivamente a relação não tinha muitas bases e não quis dar aquele passo, apesar de ser entre a mesma empresa, ou seja, tinha pouco a perder. Entretanto nesse ano conheci uma colega e comecei a gostar dela. Tive aquela sensação de ter alguém que finalmente partilhava comigo a mesma visão da vida, parecia a minha alma gémea. Estivemos quase meio ano num amor platónico pois nunca nos envolvemos fisicamente, mas emocionalmente estávamos 100% ligados. E eis que chega novamente um momento marcante para mim: ou acabo a relação de vez, separo-me e tento ser feliz com esta nova pessoa, ou continuo na relação e deixo assim passar uma oportunidade de tentar ser feliz. Falo com a minha ex-mulher para, pela última vez, tentar perceber se algum dia virá para o Porto. Digo que não sou feliz na relação, apesar de ela o saber perfeitamente. Acho que ela sempre o soube, mas para ela a relação que tinha comigo, apesar de não ser perfeita, permitia-lhe fazer as coisas para as quais ela dava prioridade: o trabalho. E foi nessa conversa que ela finalmente se abriu comigo e disse que tinha prioridades na vida: o trabalho, os pais dela e a escola do filho. Eu obviamente passei o filme para trás e pensei no que tinha abdicado para me casar com ela, no que tinha passado nos últimos tempos e disse-lhe que então, iria tentar procurar ser feliz pois não o era naquela relação. Lembro-me de nesse fim de semana termos feito amor de uma forma especial: foi como se nos estivéssemos a despedir um do outro e agradecer por tudo o que de bom tivemos (sim, porque também tivemos obviamente momentos bons). Foi especial para mim esse momento. Senti efetivamente que era o último momento em que me envolvia fisicamente com a minha ex-mulher. E foi efetivamente. Passados 3 meses divorciei-me oficialmente. Foi algo doloroso, não só por ver que tudo foi uma grande ilusão mas principalmente pelo meu filho, que sofreu pela separação. Contudo, eu estava a começar uma relação e a ser amado como nunca tinha sido e isso de certa forma amenizou esse desgosto. E assim acabou uma relação amorosa que perdura na amizade pois será sempre a mãe do meu filho: e não podia ter escolhido melhor pessoa para esse papel!

 

31
Out19

Porque sofremos nas relações

TheDailyMan

Acho que já disse que a principal razão deste meu blog ter nascido é fruto destes últimos 4 anos, onde quase tudo aconteceu no plano amoroso: divorciei-me, entrei numa relação, separei-me, reatei, separei-me definitavamente, alguns meses de descanso (sim, um gajo não é de ferro ), nova relação, separei-me, reatei, separei-me, reatei, separei-me, reatei, separei-me definitavemente. Estou há praticamente um mês limpo dessa droga. Começo a perceber, e desta vez sem grandes ironias, ao que as mulheres/homens se sujeitam numa relação. É dificil perceber, para quem está de fora, como é que as pessoas se sujeitam a tanto numa relação que, não sendo tóxica, não traz felicidade para uma das partes. Nestas ultimas relações, com especial incidência na última (talvez por ser a mais recente e ainda doer), os últimos meses foram penosos emocionalmente, onde não me sentia amado nem desejado, apesar de o demonstrar e dizer. E o pior que pode acontecer numa relação é uma das partes não ser correspondida.

(Se perguntarem à minha ex ela vai ter uma outra versão, garanto-vos! Aliás, temos conversado e quando lhe questionei sobre a razão, ou razões, para que a relação não tivesse dado certo, ela mencionou 2 factores que são falaciosos, no minimo, senão vejamos:

  1. Enquanto viveres com os teus pais nunca irás ter uma relação feliz pois a tua mãe faz-te a cabeça e pensas que as mulheres são tuas mães;
  2. Ainda vais voltar para a tua ex mulher.

Obviamente que a resposta foi, em ambos os casos, uma gargalhada geral (seguida de um pensamento do género: esta gaja está parva!) pois são completamente falsas. Podia ter evocado todas as razões menos essas, porque:

  1. Quando me divorciei fui viver sozinho para casa de um amigo. Meses mais tarde a minha namorada convidou-me a ir viver com ela e estivemos juntos algum tempo. Passavam-se semanas sem estar com os meus pais por vezes e a relação acabou pelos motivos que mencionei acima. Voltei para casa na altura da Páscoa do ano passado. Lembro-me de sair a chorar da casa dela. Ainda a amava mas a relação estava uma miséria. Depois do jantar, sentavamo-nos no sofá, eu a ver TV e ela agarrada ao tablet com uns fones a ouvir umas cenas de esoterismo e espiritualidade (Namastê diz-vos alguma coisa?!). A coisa piorava de dia para dia e até fundou uns grupos de WApp onde era moderadora e estava de tal forma envolvida naquilo que eu sentia-me sozinho. Quando iamos para a cama, levava o tablet e a coisa continuava...pareciamos dois estranhos. Falei com ela sobre isso mas as semanas seguintes foram iguais ou piores, até que não aguentei mais! Nesta ultima relação a razão para terminar foi diferente, mas com um final idêntico: falta de intimidade. Eu sei que ela me amava e eu a ela, mas nos utimos meses acabamos e reatamos mais vezes que nos meus ultimos 20 anos de vida! 
  2. Quanto ao ponto dois, disse-lhe simplesmente que se quisesse voltar para a minha ex não me tinha separado. Ainda por cima a mão do meu filho está em Lisboa!! Acho ridiculo alguém ter ciume dos ex, sinceramente! Não faz sentido algum. Acho que a minha ex ainda não percebeu o que se passou e é demasiado orgulhosa para admitir algumas coisas....)

Posto isto, e voltando ao titulo do post, porque é que sofremos nas relações?! Não seria normal sermos felizes enquanto estamos numa relação? E então porque nos mantemos numa relação trazendo ela infelicidade?! Podia dar o exemplo de mulheres que sofrem de violência doméstica e continuam com os companheiros. E, em alguns casos, só quando a desgraça acontece é que agem e denunciam...infelizmente algumas tardiamente! (Existem outros que se vão aguentando só porque não querem descer o nivel de vida, pois a separação empobrece na maioria dos casos. Outros há onde vão buscar a felicidade em casa alheia. Outros ainda estão juntos só pelos filhos. Enfim, há de tudo! Mas com esses pouco me importo!!)

Tenho refletido nisto nestes ultimos tempos e cheguei à conclusão que é pelo mesmo motivo que eu. Nos ultimos meses reatei a relação n vezes por ainda amar e acreditar que as coisas iam-se compor! E foi esse amor e essa ilusão que me fez sofrer sempre nos ultimos tempos nas minhas relações. Somente quando analisamos a relação friamente, de cima, observando com frieza todos os momentos passados é que temos essa convicção. É preciso que a razão entre e nos diga: não vás por aí...já tentaste o numero de vezes suficente e viste que não deu certo! Ela pode amar-te mas não à tua maneira, como tu gostavas que fosse. Pára de te iludir e segue em frente...e não tenhas medo de estar sozinho (esse também é um grande medo para quem quer terminar uma relação, é verdade!). 

E é preciso ter coragem para, ainda amando, terminar uma relação e convencermo-nos que é a melhor opção e esperar serenamente, mesmo ainda sentindo falta da outra pessoa. Não é fácil...

 

 

28
Out19

O que é o amor?

TheDailyMan

Quando é que começamos a amar alguém? É dificil responder a esta pergunta pois todos temos formas de amar diferentes. Uns podem amar alguém em semanas, outras demoram meses. E também é dificil perceber o que é o amor. Já muitos o tentaram definir, mas o certo é que não há definição possivel para amor pois, para mim, definir algo é pôr barreiras, limites, e amor é um sentimento cabal, intenso, sem inicio ou fim que nos tolhe a visão e nos torna irracionais. Amar é um processo lento, contínuo, que se vai entranhando aos poucos até que, quando menos se espera, já cá está.Pelo menos para mim foi sempre assim. 

Amei poucas mulheres na minha vida, e apesar de terem inicios diferentes, o certo é que havia um denominador comum em todas: as borboletas estavam lá, assim como o carinho, o amor, o companheirismo, o afeto. E começar uma relação a meio da nossa vida não é, definitivamente, a coisa mais fácil do mundo, principalmente quando a nossa cara metade não está sozinha. E se no inico são tudo borboletas a fluir, com o tempo vêm os dumbos. É normal que o tempo nos traga a realidade, dura e crua, e com isso venha alguma racionalidade que entretanto perdemos com as tais borboletas. Se no inicio fazemos um esforço para agradar quem está ao nosso lado, muitas vezes de forma inconsciente, com o tempo vamos lentamente ao centro da nossa personalidade e ao verdadeiro eu. Esse hiato pode demorar semanas ou mesmo meses, mas o certo é que ele aparece. E se entretanto continuarmos felizes, então temos tudo para que a relação dure e o amor se fortaleça. O problema é quando nos apercebemos que afinal as coisas não são como nós pensávamos ou idealizavamos. Quando vemos que afinal os pontos de discórdia começam a ser muitos e as discussões passam a ser rotina. Quando sentimos, com o tempo, que afinal não somos verdadeiramente felizes com a pessoa ao nosso lado ou o que recebemos não é, de todo, aquilo que esperamos! Gestão de expectativas?! Não sei ainda bem, sinceramente, mas acredito cada vez mais nisso!!

26
Out19

Vamos começar...

TheDailyMan

Não é a primeira vez que escrevo num blog. Penso que a primeira vez que o fiz foi ainda na pré-história da informática. Sempre gostei de expressar os meus sentimentos. E sempre gostei de o fazer verbalmente, com amigos. Desabafar, conversar, opinar, o contacto e a troca de ideias e opiniões sempre me fascinou. Gosto de falar de tudo, ou pelo menos de tudo o que seja interessante para mim. E ultimamente tenho tido uma necessidade de falar de relações, dos jovens e da sociedade em que vivemos. Talvez porque nos últimos anos tive duas relações falhadas e isso me tenha afetado de tal forma que me leve a falar disso. Quando escrevi o meu primeiro post estava numa relação e escrevi aquele texto porque, por algum motivo, queria recordar aquele momento. Acho que foi um clique que me levou a registar em bytes o que se passou naquele dia. E esse clique foi ver aquele grupo de adultos a falar sobre relações. Relações na minha idade, nos entas, e com filhos, são uma tragicomédia! Quando estamos na altura da nossa vida em que pensamos que já vivemos quase tudo que havia numa relação eis que chega o momento de começar uma relação nos entas. Se prepare!!  (Só um nota: estive casado 13 anos e namorei praticamente 7, com um filho lindo pelo meio, apesar de grande parte desse tempo ser uma relação à distância...mas isso fica para outro post talvez!).

Voltar a ter uma relação é, por si só, uma aventura! O interesse na pessoa, o abordar, o conquistar, as borboletas, os jantares, as velas, os presentes, as borboletas (sim, outra vez), as conversas, as séries, o sofá, a cama, o chão, o amor....ai o amor...foda-se! Estou a falar em amar de novo, não em sexo de novo! O sexo não magoa, só dá prazer. Amar de novo é que é fodido! Amar de novo alguém com filhos é duplamente fodido!! Não quero que me interpretem mal mas falo por mim e das minhas experiências. Só quem amou alguém com filhos é que sente isso...se não sente então quero dar-lhe os parabéns porque é a pessoa mais sortuda do mundo....ou então expliquem-me como é possível!

Quando falo de filhos, estou a falar de crianças obviamente. Lembro-me do primeiro encontro com a filha da minha primeira namorada depois de me separar. Estavamos os três na esplanada: eu, a minha namorada e a filha dela, na altura com uns 7 anos se a memória não me falha! A miuda estava muito excitada, muito mesmo! Não cabia na cadeira de tanta excitação! Pensei na altura que podia ser do momento pois estava a conhecer o namorado da mãe. Dias mais tarde percebi que afinal era mesmo assim....sempre: quando comia, quando brincava, quando respirava basicamente! Era filha única e neta única..enfim, um unicórnio! Nesse dia estava a tentar ganhar a simpatia da miuda e estava a dar-lhe umas pequenas notas em papel onde escrevia algumas frases para ela entregar à mãe. Frases de amor e carinho juntamente com uns rabiscos...coisas de um gajo apaixonado. Eu escrevia no papel, dava-lhe e ela entregava à mãe. Durante 15-20 minutos isto correu bem. No final o papel, que era o mesmo, tinha as frases todas e estava giro (foda-se, um gajo apaixonado é mesmo parvo!). E a minha namorada queria ficar com ele para recordar, eventualmente. Contudo, eis que a miuda começa a rasgá-lo de uma forma que parecia possuída e com um riso estridente. Assustei-me sinceramente! A mãe não achou muita graça mas também não disse nada. Respirei um pouco e pensei, para mim, que a coisa não ia ser fácil dali para a frente...e não foi! Vocês vão ver!!

 

25
Out19

Prelúdio

TheDailyMan

13 de maio de 2019. Não, não vou falar sobre a nossa senhora de Fátima. Estou na esplanada do bar do Óscar, em Leça da palmeira. Para alguns, como eu, a terra mas bonita de Portugal. São cerca de 18h e a tarde está quente. Bebo um fininho para arrefecer e tirar o sabor a lixivia da boca. Estranho? Já vão perceber porquê! São raros os dias assim cá pela terra e há que aproveitar ao máximo este tempo. Estou com a filha da minha namorada que tem 13 anos e acabou de ser picada por um peixe-aranha enquanto fazia surf. Está a relaxar e a recuperar da dor. Para quem está habituado a estas andanças já sabe como tratar isto: uma das soluções é água quente e lixivia no pé afetado. Depois, é só chupar o veneno. Passados uns minutos está-se praticamente sem dor. É claro que, como foi a sua estreia nestas andanças, parecia que o veneno lhe estava a consumir as entranhas. E foi um 31 poder sequer tocar no pé para ver onde estava a picadela. Mas lá veio uma alma caridosa que enquanto a acalmava eu fazia o processo direitinho. Claro que fiquei com um sabor horrível na boca, mas nada que com uns fininhos não passasse.

Ao meu lado está um grupo de amigos. Já cá estavam quando cheguei. Têm cerca da minha idade, sendo um ou outro ligeiramente mais velho. Bebem vinho branco fresquinho para enganar o calor. Falam, já alegres, sobre relações, gerações e felicidade. Um deles, perto dos 50, diz que quer uma namorada, com 25 anos no máximo, pois as outras estão todas fodidas da cabeça. Usou mesmo esta expressão. O tema é-me particularmente interessante. Simpaticamente metem conversa comigo perguntando pelo estado da miúda. Respondo que está melhor, agradecendo a preocupação. De seguida, e como a quererem confirmação, perguntam-me também a opinião sobre o que falam. Simpaticamente respondo que concordo com umas coisas mas com outras não. É normal, não?! As opiniões variam consoante as experiências pessoais e cada um tem a sua! Em silêncio, mas observando o que se passa à volta, juntamente com a miuda, que em segredo me pergunta se estão bêbados, escuto atentamente a conversa. Penso um pouco sobre o que falam: sou divorciado, estou em plena meia-idade e tenho uma relação nos entas. Se já tinha alguma vontade de escrever sobre o assunto, ao ouvir esta conversa deu-me o clique que precisava. A minha profissão é lidar com jovens. Sou professor, tenho um filho que, apesar de estar a viver com a mãe na capital, está em plena pré-adolescência, e tenho uma miuda adotiva com a mesma idade, por isso sei bem o que é estar numa relação neste cenário. Mas voltemos à conversa: neste momento estão a falar de felicidade – o que é a felicidade, a diferença entre ser/estar feliz e estar bem. Let the show begin!!

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